22 de abril de 2010

Atingidos por barragem promovem ato em Campina Grande


Osvaldo Bernardo da Silva*
Cerca de 100 atingidos pela Barragem de Acauã, nos municípios de Aroeiras, Natuba e Itatuba, na Paraíba, promoveram ato, em frente à Universidade Federal de Campina Grande, distribuindo panfletos denunciando a situação em que se encontram, seis anos depois da formação do lago.
Essas famílias, oriundas de nove comunidades ribeirinhas do Rio Paraíba, foram relocadas para agrovilas que, segundo a Comissão Nacional e direitos Humanos (CNDH), “de agro não têm nada”.
Estiveram presentes à atividade atingidos de todas as comunidades de Acauã e representantes de sindicatos e movimentos sociais, além da Associação dos docentes da Universidade Federal de Campina Grande – ADUFCG.
O professor Fernando Garcia, da Universidade Federal de Campina Grande, apóia a luta dos atingidos de Acauã, desde 2002, e disse que “é preciso que as autoridades dêm atenção aos atingidos, que ficaram sem meios viáveis de prover seu próprio sustento, pois perderam até suas áreas agricultáveis”.
Os atingidos ainda participaram de uma palestra na sala de aula da Universidade Federal de Campina Grande com os alunos do Curso de Letras, oportunidade em que debateram questões relacionadas à problemática dos atingidos por barragens, em todo o país, como o descaso dos governantes e a apatia da mídia para com a questão.
A manifestação faz parte da Jornada de Luta do Movimento dos Atingidos Por Barragens – MAB, contra a construção de Belo Monte, no Pará, no rio Xungú, que, segundo o movimento, não servirá ao povo brasileiro e sim ao capital especulativo internacional e foi organizada em todo o país.
Belo Monte, se for construída, será a terceira maior barragem do mundo, só perdendo Três Gargantas, na China, e Itaipu, no Paraná.
Segundo o MAB, o discurso para convencer a sociedade a aceitar a construção de Belo Monte se baseia no fato de que o Brasil para crescer, de mais energia, pois estaria faltando energia e está faltando energia, “só que essa energia vai estar a serviço das empresas chamadas eletrointensivas, que consomem grande quantidade energia, como a Vale do Rio Doce e Alumar, dentre outras” – adverte. “A energia produzida no Brasil é uma das formas mais baratas de produção, através das hidroelétricas, mas os brasileiros pagam a quinta maior tarifa do mundo, com o povo pagando quase cinqüenta centavos em kWh e as grandes empresas pagando apenas cinco centavos, sem falar nos impactos ambientais.
Direitos Humanos – Para os representantes dos atingidos por barragens, os grupamentos humanos localizados em áreas onde se constroem barragens têm sofrido graves atentados a seus direitos humanos. Esta questão tem dimensão mundial uma vez que não há muita diferença de tratamento de empresas e governos dos mais diferentes lugares. Para o MAB, o caso dos atingidos pela barragem de Acauã, construída pelo governo do Estado da Paraíba, se constitui numa das mais graves situações no contexto brasileiro. “Esta singular situação pôde ser atestada por diferentes observadores, a saber: o pároco do município de Aroeiras, que primeiro denunciou a gravidade da situação; seguido por um grupo de professores e alunos da UFCG, que presta assessoria à população atingida desde 2002; pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); pelo Procurador Regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba, que tomou várias iniciativas para proteger a população; por uma Comissão Especial da Secretária de Direitos Humanos do Governo Federal que, após realizar audiências públicas na região atingida, produziu contundente relatório sobre o caso”.
* Osvaldo Bernardo da Silva é professor de História, formado pela Universiade Estadual Vale do Acaraú

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